Por: Ivan Pinto e Ricardo Monello
A economia se encontra em um momento em que não basta planejar. É preciso saber como agir e de que forma. Para começar um orçamento, devem-se priorizar duas perguntas básicas: Quanto devemos gastar? Com o que devemos gastar? A gestão de custos está presente em todos os setores, e não é diferente nas organizações não governamentais. Por esse motivo, há de se buscar novos caminhos (formas mais eficientes de planejamento), deixando de lado vícios, ou ainda, a região de conforto, grandes inimigos de uma gestão eficaz.
Orçamento Base Zero (OBZ) teve sua origem nos Estados Unidos, pela Texas Instruments Inc., durante o ano de 1969. Foi adotado pelo Estado da Geórgia no governo Jimmy Carter, com vistas ao ano fiscal de 1973. As principais características são: análise, revisão e avaliação de todas as despesas propostas, e não apenas das solicitações que ultrapassam o nível de gasto já existente; todos os programas devem ser justificados cada vez que se inicia um novo ciclo orçamentário.
O Orçamento Base Zero é uma previsão orçamentária projetada, na qual não se leva em consideração o que ocorreu nos anos anteriores.
Com o OBZ, temos que aprender a esquecer
O OBZ não utiliza o orçamento do ano anterior ou despesas no estabelecimento de um novo orçamento, uma vez que as circunstâncias e as finanças da organização podem ter mudado. Ao construir um orçamento a partir de uma base zero, todas as despesas devem ser justificadas. Tal fato ajuda a controlar os gastos, porque o orçamento é montado a partir de zero, em vez de ser construído em cima daquilo que foi gasto durante o período prévio final, sendo que, na maioria das vezes, esses números já estão poluídos.
É claro que é muito mais rápido e cômodo fazer o Orçamento Base Histórica (OBH), no qual são colocadas como previsão de receitas e despesas as mesmas do ano anterior, sem levar em conta um planejamento estratégico para o ano, ou sem levar em consideração o andamento de seus concorrentes. Alguns benefícios na implantação do Orçamento Base Zero para a gestão são: Dar informações detalhadas sobre o funcionamento de cada despesa; Chamar a atenção para excessos; Facilitar o processo de decisão; Eliminar despesas não necessárias.
Outro fator importante na implantação do OBZ é o aspecto comportamental e/ou motivacional dos colaboradores, que terão uma participação efetiva no controle das despesas. Assim, todos os departamentos têm metas claras de redução de gastos compatíveis com a natureza de suas atividades.
Alguns benefícios pretendidos na implantação do OBZ nas organizações do Terceiro Setor são:
- Redução de custos;
- Melhor Planejamento;
- Descentralização das informações e atividades;
- Histórico contábil correto (melhor tomada de decisões);
- Difusão de conhecimento e de melhores práticas; Criação de uma nova cultura;
- Eliminação de processos inadequados;
- Aperfeiçoamento da equipe: crescimento pessoal e profissional;
- Busca de informações (passivo > pró-ativo);
- Adequação das despesas.
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Ivan Pinto: Contador, perito contábil e auditor, com mais de 12 anos de experiência em entidades do Terceiro Setor, filantrópicas ou não. Sócio da Audisa Auditores Associados, é membro do colegiado de auditoria do Instituto de Auditores Independentes do Brasil (Ibracon), do Instituto de Auditores Internos do Brasil (Audibra) e do Institute of Internal Auditors (IIA).
Ricardo Monello: Advogado, contador e auditor, é membro da Audisa – Consultoria e Auditoria para o Terceiro Setor, da Advocacia Sérgio Monello e da Comissão de Direito do Terceiro Setor da OAB/SP. Atua ainda como editor da Revista Filantropia.
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| Fonte: Revista Filantropia |