da Folha Online
Ler e reler Machado de Assis é a melhor forma de homenageá-lo, cem anos depois de sua morte. Primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, o autor deixou um importante --e grande-- legado de crônicas, contos, romances, poesias e até mesmo peças de teatro.
Em "Um Homem Célebre - Machado Recriado", da Publifolha, dez autores foram além: criaram novos textos a partir das obras de Machado de Assis. Com nove contos, uma peça e alguns desenhos, o livro reúne grandes autores como Cristovão Tezza, Moacyr Scliar, Alberto Martins e Alberto Mussa.
Liberdade para recriar as "bruxarias"
Cada um dos autores teve a liberdade de imitar, parafrasear, elaborar, metamorfosear e até mesmo trair, sem o menor constrangimento, as obras do "bruxo do Cosme Velho".
No capítulo "Princípio Binário", por exemplo, Alberto Mussa organiza e apresenta notas encontradas na Biblioteca Central de Zurique que comprovam que o romance "Dom Casmurro" foi baseado em fatos reais. Já no capítulo "Vidente do Amor", o autor Bruno Zeni transpõe a história do conto "A Cartomante" para o ano de 2007. Moacyr Scliar reescreve a história de Doutor Bacamarte, personagem do conto "O Alienista", e Lourenço Mutarelli psicografa "Memórias Póstumas de Brás Cubas".
A autora Mariana Veríssimo, por sua vez, traz receitas bem-humoradas para ser um "bom medalhão" (que, segundo o conto de Machado, "Teoria do Medalhão", trata-se de uma pessoa fútil e que gosta de se promover) e até imagina um encontro entre Machado de Assis e Paris Hilton.
O resultado deste livro é revelador. Por um lado traz um panorama da prosa brasileira atual e por outro mostra o quanto os textos de Machado de Assis continuam atuais -muitas das questões do passado, do presente e do futuro já estavam nas obras do autor, que fez críticas agudíssimas das nossas questões centrais.